Ciclo Menstrual e Performance Esportiva
- Pamela de Oliveira Gautto
- há 13 horas
- 3 min de leitura
O corpo feminino passa por variações hormonais cíclicas ao longo do mês, principalmente relacionadas aos hormônios estrogênio e progesterona. Essas oscilações influenciam diversos sistemas do organismo, como o metabolismo energético, a termorregulação, o sistema neuromuscular e o humor. No contexto esportivo, essas alterações podem impactar não apenas a performance física, mas também a percepção subjetiva de esforço, tornando determinados treinos mais desafiadores em fases específicas do ciclo menstrual.
Então vamos iniciar entendendo as fases do ciclo feminino:
1. Fase Folicular (1º ao 13º dia)
Esta fase começa no primeiro dia da menstruação e termina com a ovulação.
2. Fase Ovulatória (aprox. dia 14)
É um período curto (24 a 48 horas) marcado pelo pico máximo de estrogênio.
3. Fase Lútea (15º ao 28º dia)
Após a ovulação, a progesterona torna-se o hormônio dominante.
Fazendo relação das fases com o exercício, podemos entender:
Fase | Hormônio Dominante | Impacto Percebido |
Menstrual | Baixos níveis | Fadiga e cólicas |
Folicular | Estrogênio | Alta energia e força |
Ovulatória | Pico de Estrogênio | Ápice de performance |
Lútea | Progesterona | Retenção e cansaço |
Estamos falando de um ciclo médio regular. Há vários fatores que podem interferir nessa regularidade, como estresse, exercícios, alimentação e hábitos de vida.
Alguns achados mostram que esses ciclos não afetam o desempenho máximo de forma uniforme. Já os sintomas individuais, como cólicas menstruais, dor abdominal e lombar, cãibras, dor de cabeça ou enxaqueca, desempenham um papel crucial como fator limitante. Ou seja, as mulheres são afetadas por flutuações hormonais de várias maneiras e devem ser avaliadas de forma individualizada. Além disso, sintomas psicológicos como perda de concentração e motivação, ansiedade ou irritabilidade também podem estar presentes. Essa associação faz com que a Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) esteja aumentada durante a fase menstrual também.
Logo, na corrida, esses sintomas também podem trazer consequências:
Fadiga aumentada
Baixos níveis hormonais, possível redução temporária de ferro e hemoglobina e menor eficiência no transporte de oxigênio.
Consequências na corrida: Sensação de cansaço precoce, dificuldade em sustentar o ritmo habitual, aumento da percepção de esforço (PSE) mesmo em treinos leves e redução do volume tolerável de treino.
Cólica e dor abdominal
Contrações uterinas, desconforto pélvico e irradiação para a lombar.
Consequências na corrida: Alteração da mecânica da corrida, postura mais rígida ou compensatória e menor estabilidade do core, menor eficiência biomecânica e até possível redução do comprimento da passada, desconforto durante o impacto.
Alterações gastrointestinais (náusea, diarreia)
Ação das prostaglandinas no trato gastrointestinal e motilidade intestinal (capacidade dele se movimentar)
Consequências na corrida: Desconforto durante o exercício, dificuldade de manter hidratação e alimentação, redução da concentração
Aumento da percepção de esforço (PSE)
Integração de sinais periféricos (dor, fadiga, desconforto), maior ativação de centros cerebrais relacionados à dor e estresse.
Consequências na corrida: Ritmos antes confortáveis passam a ser percebidos como intensos, dificuldade de seguir zonas de treino baseadas apenas em pace ou frequência cardíaca.
Importante saber que não existe uma regra fixa e você não perdeu seu desempenho: cada corpo responde de um jeito.
O que você pode fazer nessa fase é registrar treinos e os ciclos, pois isso auxilia você e seu treinador a entender os padrões. Com essas informações, ele pode ajustar para que os seus treinos mais importantes de ciclos, não estejam nesses períodos - pois podem acabar prejudicados ou não ter resposta esperada. Ajustar o treino ao ciclo não é “treinar menos”, é treinar de forma inteligente. A comunicação com seu treinador é fundamental.
Referências:
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