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Ciclo Menstrual e Performance Esportiva

O corpo feminino passa por variações hormonais cíclicas ao longo do mês, principalmente relacionadas aos hormônios estrogênio e progesterona. Essas oscilações influenciam diversos sistemas do organismo, como o metabolismo energético, a termorregulação, o sistema neuromuscular e o humor. No contexto esportivo, essas alterações podem impactar não apenas a performance física, mas também a percepção subjetiva de esforço, tornando determinados treinos mais desafiadores em fases específicas do ciclo menstrual.


Então vamos iniciar entendendo as fases do ciclo feminino:

1. Fase Folicular (1º ao 13º dia) 

Esta fase começa no primeiro dia da menstruação e termina com a ovulação.


2. Fase Ovulatória (aprox. dia 14)

É um período curto (24 a 48 horas) marcado pelo pico máximo de estrogênio. 


3. Fase Lútea (15º ao 28º dia)

Após a ovulação, a progesterona torna-se o hormônio dominante.


Fazendo relação das fases com o exercício, podemos entender:

Fase
Hormônio Dominante
Impacto Percebido

Menstrual

Baixos níveis

Fadiga e cólicas

Folicular

Estrogênio

Alta energia e força

Ovulatória

Pico de Estrogênio

Ápice de performance

Lútea

Progesterona

Retenção e cansaço


Estamos falando de um ciclo médio regular. Há vários fatores que podem interferir nessa regularidade, como estresse, exercícios, alimentação e hábitos de vida.


Alguns achados mostram que esses ciclos não afetam o desempenho máximo de forma uniforme. Já os sintomas individuais, como cólicas menstruais, dor abdominal e lombar, cãibras, dor de cabeça ou enxaqueca, desempenham um papel crucial como fator limitante. Ou seja, as mulheres são afetadas por flutuações hormonais de várias maneiras e devem ser avaliadas de forma individualizada. Além disso, sintomas psicológicos como perda de concentração e motivação, ansiedade ou irritabilidade também podem estar presentes. Essa associação faz com que a Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) esteja aumentada durante a fase menstrual também.


Logo, na corrida, esses sintomas também podem trazer consequências:


  1. Fadiga aumentada

Baixos níveis hormonais, possível redução temporária de ferro e hemoglobina e menor eficiência no transporte de oxigênio.

Consequências na corrida: Sensação de cansaço precoce, dificuldade em sustentar o ritmo habitual, aumento da percepção de esforço (PSE) mesmo em treinos leves e redução do volume tolerável de treino.


  1. Cólica e dor abdominal

Contrações uterinas, desconforto pélvico e irradiação para a lombar.

Consequências na corrida: Alteração da mecânica da corrida, postura mais rígida ou compensatória e menor estabilidade do core, menor eficiência biomecânica e até possível redução do comprimento da passada, desconforto durante o impacto.


  1. Alterações gastrointestinais (náusea, diarreia)

Ação das prostaglandinas no trato gastrointestinal e motilidade intestinal (capacidade dele se movimentar)

Consequências na corrida: Desconforto durante o exercício, dificuldade de manter hidratação e alimentação, redução da concentração


  1. Aumento da percepção de esforço (PSE)

Integração de sinais periféricos (dor, fadiga, desconforto), maior ativação de centros cerebrais relacionados à dor e estresse.

Consequências na corrida: Ritmos antes confortáveis passam a ser percebidos como intensos, dificuldade de seguir zonas de treino baseadas apenas em pace ou frequência cardíaca.


Importante saber que não existe uma regra fixa e você não perdeu seu desempenho: cada corpo responde de um jeito.


O que você pode fazer nessa fase é registrar treinos e os ciclos, pois isso auxilia você e seu treinador a entender os padrões. Com essas informações, ele pode ajustar para que os seus treinos mais importantes de ciclos, não estejam nesses períodos - pois podem acabar prejudicados ou não ter resposta esperada. Ajustar o treino ao ciclo não é “treinar menos”, é treinar de forma inteligente. A comunicação com seu treinador é fundamental.



Referências:


Martínez-Sánchez A, Campos-Redondo A, Ibáñez SJ, García-Rubio J. OXIGÊNIO, HORMÔNIOS E DESEMPENHO: UM ESTUDO DE CASO DOS EFEITOS DO CICLO MENSTRUAL NA FISIOLOGIA ATLÉTICA. Applied Sciences . 2025; 15(7):3749. https://doi.org/10.3390/app15073749

Parmigiano, T., Araujo, M. P. de ., Benayon, P. C., Faroni, R. P., Barsottini, C. G. N., & Sartori, M. G. F.. (2024). SPORTS GYNECOLOGY: A NEW WAY TO IMPROVE FEMALE ATHLETES CARE AND PERFORMANCE. Revista Brasileira De Medicina Do Esporte, 30, e2022_0418. https://doi.org/10.1590/1517-8692202430012022_0418i

Stanischesk, Isadora Pineda; A INFLUÊNCIA DO CICLO HORMONAL FEMININO NO DESEMPENBHO EM ATIVIDADES FÍSICAS: UMA REVISÃO ABRANGENTE. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Centro de Ciências Biológicas, Graduação em CIências Biológicas. Florianópolis/SC, 2024.

Impacto do Ciclo Menstrual no Desempenho de Corredoras do Sexo Feminino: Revisão Sistemática. Anais do Congresso Brasileiro da Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, [S. l.], v. 5, n. 1, 2025. Disponível em: https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2585.


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