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Como manter a regularidade no final do ano

O final do ano costuma ser um dos períodos mais desafiadores para quem corre. Festas, viagens, confraternizações, mudanças de horário e uma rotina menos previsível fazem com que muitos corredores deixem os treinos em segundo plano. Não é raro ouvir frases como: “Depois das festas eu volto” ou “Em janeiro eu recomeço”


O problema é que a interrupção total dos treinos pode levar à perda de condicionamento, aumento do risco de lesões no retorno e, principalmente, à quebra de um hábito que muitas vezes levou meses para ser construído ou ainda está em construção. A boa notícia é que manter a regularidade no final do ano é possível — desde que você ajuste expectativas, estratégia e se organize.


  • A consistência é o que garante que todo o progresso conquistado até aqui não se perca.


Pequenas adaptações fazem toda a diferença

Antes de tudo, é importante entender que consistência não significa treinar exatamente como no resto do ano. Consistência, no contexto de final de ano, significa manter o corpo em movimento, preservar adaptações fisiológicas e sustentar o hábito da corrida, mesmo com ajustes.


Do ponto de vista fisiológico, períodos curtos de redução de volume e intensidade não geram perdas significativas de condicionamento aeróbio, desde que o estímulo não seja completamente interrompido. Com pequenas doses de treino, quando bem distribuídas, são suficientes para manutenção da capacidade cardiorrespiratória neste período.


Uma das principais estratégias é planejar os treinos da semana com antecedência. Saber quais dias serão mais corridos socialmente ajuda a antecipar sessões ou redistribuir o volume semanal. Aqui, a comunicação com o treinador é fundamental. Ajustar o plano de treino para essa fase do ano — reduzindo volume, mantendo estímulos chave ou priorizando treinos mais curtos — é uma decisão inteligente, não um sinal de fraqueza ou falta de comprometimento.


Outra abordagem eficiente é priorizar treinos curtos e objetivos. Sessões mais curtas, rodagens leves ou estímulos de ritmo controlado, são mais fáceis de encaixar na rotina e geram menos desgaste físico e mental. Em muitos casos, um treino bem executado e curto é mais vantajoso do que tentar cumprir longas sessões sem qualidade ou com alto nível de estresse. O mais importante é sair para se movimentar, sem pressão por ritmo, distância ou desempenho. Outro ponto essencial é a escuta do corpo. No final do ano, o sono pode ser irregular e a alimentação diferente do habitual, o que aumenta a sensação de cansaço. Ajustar o ritmo, reduzir o volume e respeitar sinais de fadiga do corpo vai te ajudar neste período. Por fim, é importante aceitar que a rotina não será perfeita e tudo bem. A consistência é construída pela soma de pequenas ações ao longo do tempo, não pela rigidez extrema.


Manter o hábito hoje para evoluir amanhã

Manter a regularidade na corrida no final do ano não depende de treinar mais, mas de treinar com inteligência. Ajustar o planejamento, reduzir expectativas irreais, priorizar sessões simples e manter o diálogo com o treinador são estratégias que ajudam o corredor a atravessar esse período sem grandes perdas e com muito mais equilíbrio.


Ao invés de encarar o final do ano como um obstáculo, ele pode ser visto como uma fase de manutenção, recuperação e fortalecimento do hábito. Assim, você dá continuidade a um processo que já está em construção, chega ao início do próximo ano não apenas com o condicionamento preservado, mas com a mente mais leve, o corpo mais preparado e a motivação renovada para novos desafios.


No fim, o objetivo principal de dezembro não é evoluir na performance, e sim preservar o hábito. Essa constância, mesmo que moderada, faz com que o retorno aos treinos mais estruturados no início do ano seja mais leve e natural. Correr no fim do ano é, acima de tudo, um ato de autocuidado e um compromisso consigo mesmo.

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